O Aeroporto Internacional de Guarulhos registrou um aumento expressivo no número de passageiros afetados por atrasos de voos superiores a duas horas em julho de 2026. Segundo levantamento da AirHelp, cerca de 20,8 mil passageiros enfrentaram essa situação no mês, contra 14,9 mil em junho. A proporção passou de um passageiro afetado a cada 127 embarcados para um a cada 103.
Atrasos mais longos também aumentaram
O levantamento considera os voos operados no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, e mostra que o problema se intensificou também entre os atrasos mais longos. Em julho, aproximadamente 10,6 mil passageiros enfrentaram atrasos superiores a três horas, ante 6,7 mil em junho, um crescimento de cerca de 58%.
O comportamento, no entanto, não foi uniforme entre os principais terminais do país. Em Confins, os atrasos superiores a três horas caíram de 3,3 mil para 900 passageiros. Em Viracopos, recuaram de 3 mil para 1,7 mil, e em Recife, de 2,1 mil para 1,1 mil. Já Curitiba teve alta, passando de 1,8 mil para 2,2 mil passageiros afetados.
Como Guarulhos se compara a outros aeroportos
Entre os terminais analisados pela AirHelp, Guarulhos apresentou o maior volume de passageiros atingidos por atrasos superiores a duas horas em julho.
O Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, apareceu na sequência, com aproximadamente 5,3 mil passageiros afetados, uma redução em relação aos 6,2 mil de junho. No Aeroporto Internacional Afonso Pena, em Curitiba, foram cerca de 4 mil passageiros atingidos, ante 3 mil no mês anterior.
Recife registrou aproximadamente 3,7 mil passageiros nessa condição, número próximo ao de junho, enquanto o Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, passou de 3,5 mil para 3,6 mil passageiros afetados. Já o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, teve queda expressiva, de 6 mil para cerca de 2,9 mil passageiros afetados por atrasos superiores a duas horas.
No recorte de atrasos superiores a três horas, Guarulhos também liderou com ampla diferença, somando 10,6 mil passageiros, enquanto Viracopos teve 1,7 mil e Curitiba, 2,2 mil.
Cancelamentos também entram no levantamento
Além dos atrasos, a AirHelp analisou os cancelamentos registrados em Guarulhos. Cerca de 620 mil passageiros foram afetados em julho por cancelamentos feitos com mais de 30 dias de antecedência, ante aproximadamente 580 mil em junho.
Já os cancelamentos realizados com menos de 30 dias de antecedência caíram: cerca de 23,8 mil passageiros foram atingidos em julho, contra mais de 25 mil no mês anterior. O movimento mostra dois cenários distintos, com alta nos avisos feitos com maior antecedência e redução nos cancelamentos próximos da data da viagem.
Para o diretor-geral da AirHelp no Brasil, Luciano Barreto, o aumento dos atrasos chama atenção pela dimensão do terminal, já que interrupções nesse volume podem comprometer compromissos de milhares de viajantes.
Quais são os direitos do passageiro em caso de atraso
Um atraso não significa, por si só, que o passageiro terá direito a uma indenização financeira. No Brasil, os direitos dos viajantes são estabelecidos principalmente pelo Código de Defesa do Consumidor e pelas normas da Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac.
Em situações de atraso, cancelamento ou outros problemas operacionais, a companhia aérea pode ter obrigações relacionadas à informação e à assistência ao passageiro, conforme o tempo de espera e as circunstâncias do caso. Essa assistência pode incluir comunicação, alimentação e acomodação, a depender da duração do atraso.
É importante diferenciar essa assistência obrigatória de um eventual pedido de indenização. Um passageiro que teve o voo atrasado não recebe automaticamente uma compensação apenas porque a aeronave demorou para partir. Situações em que o passageiro consegue demonstrar prejuízos ou transtornos relevantes, como perda de compromissos importantes ou prejuízos financeiros, podem resultar em pedidos de reparação, especialmente quando existe responsabilidade da companhia aérea.
Condições climáticas não eliminam todos os direitos
Problemas causados por condições meteorológicas adversas ou outras circunstâncias fora do controle da companhia não significam que o passageiro fique sem qualquer proteção. Mesmo nesses casos, permanecem relevantes os direitos relacionados à assistência e ao acesso a informações sobre o voo. A responsabilidade pela interrupção e a possibilidade de indenização dependem das circunstâncias específicas de cada ocorrência.
Por isso, documentos como cartão de embarque, comprovantes de despesas, mensagens enviadas pela companhia aérea e registros do horário real de partida podem ser importantes para comprovar o que aconteceu durante a viagem.
Guarulhos segue como ponto central da aviação brasileira
O aumento registrado em julho acontece em um aeroporto que exerce papel central na malha aérea do país. Guarulhos concentra operações domésticas e internacionais e funciona como uma das principais portas de entrada e saída do Brasil, o que faz com que qualquer aumento relevante nos atrasos atinja milhares de pessoas.
Os números reforçam a importância de acompanhar não apenas a quantidade de voos atrasados, mas também o total de pessoas diretamente atingidas pelas interrupções. Para quem viaja a partir de Guarulhos, especialmente em conexões ou com compromissos marcados, a duração do atraso pode fazer diferença significativa na viagem.
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Fonte: Mercado & Eventos
