A menos de duas semanas do início da Copa do Mundo de 2026, os três países-sede do torneio — Estados Unidos, México e Canadá — anunciaram medidas coordenadas de saúde pública voltadas a conter um possível avanço do vírus Ebola em seus territórios durante o evento.
O comunicado conjunto, divulgado na quinta-feira (28), não detalhou todas as ações combinadas, mas reforçou a posição unificada dos governos. "A saúde e a segurança de todas as pessoas na região continuam sendo nossa maior prioridade, enquanto damos as boas-vindas ao mundo na América do Norte", afirmaram os três países em nota.
O que cada país anunciou
As medidas variam em abrangência, mas seguem uma lógica comum: restringir a entrada de pessoas vindas das regiões africanas com maior risco de contágio — especialmente República Democrática do Congo, Uganda e Sudão do Sul.
Estados Unidos
Na semana anterior ao comunicado, Washington proibiu a entrada de cidadãos não americanos que tivessem viajado para a República Democrática do Congo, Uganda ou Sudão do Sul nas semanas anteriores. A restrição foi ampliada em seguida pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), passando a incluir também portadores de green card que estiveram nesses países nos 21 dias anteriores.
Além disso, o governo Trump anunciou negociações com o Quênia para a criação de um centro de quarentena destinado a americanos que tenham sido expostos ao vírus durante o surto na República Democrática do Congo. A ideia é monitorar essas pessoas em território queniano antes de autorizá-las a retornar aos EUA.
O secretário de Estado Marco Rubio foi direto durante reunião de gabinete na Casa Branca: "Não podemos e não vamos permitir que nenhum caso de Ebola entre nos Estados Unidos."
Canadá
Ottawa proibiu a entrada no país de residentes da República Democrática do Congo, Uganda e Sudão do Sul por um período de 90 dias, com início na quarta-feira (27). Viajantes provenientes dessas regiões que não apresentem sintomas deverão cumprir quarentena de 21 dias a partir de 30 de maio, conforme comunicado da agência de saúde pública canadense.
México
O país adotou medidas mais rigorosas de triagem nos aeroportos desde a segunda-feira (25), com triagem reforçada para detectar possíveis casos de Ebola. O governo mexicano também pediu aos cidadãos que evitem viagens à República Democrática do Congo e determinou que viajantes vindos do país cumpram quarentena de 21 dias ao chegar ao México.
O contexto: surto declarado emergência internacional
As medidas dos países-sede são uma resposta direta ao agravamento da situação na África. Em 17 de maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto de Ebola na República Democrática do Congo como uma emergência de saúde pública de âmbito internacional, alertando para o alto risco de propagação para países vizinhos.
O vírus Ebola tem período de incubação de até 21 dias — o que explica o prazo adotado nas quarentenas — e pode causar febre hemorrágica grave, com taxa de letalidade que varia entre 25% e 90% dependendo do surto.
O que isso significa para quem vai à Copa
Para a grande maioria dos turistas e torcedores que viajam de países sem restrições ativas, as medidas não devem impactar diretamente os planos. As restrições são direcionadas especificamente a viajantes provenientes das três regiões africanas citadas.
Ainda assim, vale acompanhar as atualizações das autoridades de saúde dos três países nas semanas que antecedem o torneio, já que as medidas podem ser ampliadas conforme a evolução do surto.
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Fonte: G1