Quem planeja circular pela Europa entre outubro e março vai encontrar menos voos disponíveis. A easyJet, uma das maiores companhias de baixo custo do continente, decidiu retirar mais 600 a 700 mil assentos da programação de inverno para reduzir os gastos com combustível. E ela não é a única: o preço do querosene de aviação vem forçando companhias na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil a encolher suas malhas.
easyJet dobra os cortes de inverno
O anúncio foi feito pelo CEO da easyJet, Kenton Jarvis, em entrevista ao Financial Times. No início do verão europeu, a companhia já havia retirado cerca de 700 mil assentos dos voos de inverno. Com o novo corte, a redução total chega a algo em torno de 3% da oferta da temporada, que costuma ter cerca de 50 milhões de assentos entre outubro e o fim de março.
Segundo a companhia, serão aproximadamente 3.500 voos e 1,4 milhão de assentos a menos no inverno 2026/2027. A easyJet ainda não divulgou todas as rotas afetadas. A única mudança de maior porte já confirmada é o fechamento da base de Leeds Bradford, na Inglaterra, depois de 5 de janeiro de 2027.
Jarvis explicou que a estratégia é voar menos justamente nos meses de baixa procura, quando pagar caro pelo combustível compensa menos. O executivo afirmou que todos os concorrentes estão reduzindo capacidade e reconheceu que o setor foi surpreendido pela persistência do preço alto.
Quem mais está cortando voos na Europa
E no Brasil
As companhias brasileiras também sentiram o impacto. A Latam reduziu em 3% a oferta de voos domésticos em junho e julho por causa do querosene e indicou que o ajuste deve se repetir no segundo semestre. Segundo a Abear, Azul, Gol e Latam cortaram juntas, em média, 121 voos por dia em junho.
A Gol foi além e confirmou a suspensão de quatro rotas para Miami e Orlando a partir de fevereiro de 2027, depois de cortes que já atingiam voos em Fortaleza, Brasília, Salvador e Belém. Segundo a companhia, o combustível dobrou de preço e responde por cerca de 40% dos custos operacionais.
Companhias em dificuldade
Para algumas empresas, a alta do combustível agravou problemas que já existiam:
Por que o combustível disparou
A crise começou com a guerra no Irã, em fevereiro, que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa boa parte do petróleo do Golfo Pérsico. Desde então, o querosene de aviação praticamente dobrou de preço.
Em junho, a Iata, associação internacional das companhias aéreas, estimou que o gasto do setor com combustível vai saltar de 252 bilhões de dólares em 2025 para cerca de 350 bilhões em 2026. A projeção é de um preço médio de 152 dólares por barril de querosene neste ano, contra 90 dólares em 2025, o que deve reduzir pela metade o lucro global das companhias aéreas.
O fluxo de petróleo por Ormuz vem sendo retomado, mas de forma lenta, e o preço do combustível de aviação segue elevado.
O que muda para quem vai viajar
Menos assentos na programação não significa que um voo já comprado será cancelado. A easyJet afirma priorizar cortes em rotas com várias frequências diárias, justamente para transferir os passageiros para outros horários. Ainda assim, vale tomar alguns cuidados:
Até agora, nenhuma companhia que opera entre o Brasil e a Europa anunciou cortes nessas rotas. O impacto maior está nos voos internos do continente europeu. Se a sua viagem com saída ou chegada no Brasil sofrer cancelamento, atraso ou alteração de última hora, a MOVA analisa o caso gratuitamente e, havendo direito, paga via Pix em poucos minutos.
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Fonte: Brasil na Itália
