A Gol anunciou um movimento importante para reforçar sua atuação na aviação regional brasileira. O Grupo Abra, que controla a companhia, além da Avianca e da Wamos Air, fechou acordo com a Embraer para a compra de até 45 aeronaves, incluindo jatos do modelo E195-E2.

Detalhes do acordo com a Embraer

Do total negociado, 20 unidades do E195-E2 já estão confirmadas, com mais 10 opções de compra e 15 direitos adicionais de aquisição. O anúncio foi feito durante o Farnborough International Airshow, no Reino Unido, e a entrega da primeira aeronave está prevista para o quarto trimestre de 2027. A Embraer informou que a conclusão do negócio ainda depende de condições adicionais.

Diversificação da frota

Até então composta majoritariamente por aeronaves Boeing, a frota da Gol já vinha se diversificando com a incorporação de Airbus A330 para voos intercontinentais. A chegada do E195-E2 amplia ainda mais essa diversificação, trazendo uma aeronave voltada especificamente para rotas de menor densidade de passageiros.

Segundo Alessandro Oliveira, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Gol mantém sua estratégia de baixo custo por assento, e a nova aeronave deve permitir a abertura de rotas domésticas que hoje não são viáveis para aviões maiores. O modelo consome cerca de 30% menos combustível por assento em comparação com gerações anteriores, o que favorece sua operação em rotas de médio alcance e viabiliza voos mais frequentes para cidades médias.

Concorrência na aviação regional

Atualmente, a Azul é a única companhia doméstica a operar jatos Embraer, posição reforçada após a aquisição da TRIP, que combinou E-Jets e turboélices ATR 72 no domínio do mercado regional. Com a Latam também planejando incorporar o E2 até o fim do ano e agora a Gol seguindo o mesmo caminho, a disputa entre as três companhias tende a crescer nas rotas regionais de maior demanda, enquanto a Azul deve manter força nas rotas de menor fluxo.

Para Oliveira, o sucesso dessas operações depende do crescimento econômico do país, fator essencial para sustentar a demanda que viabiliza a concorrência entre as companhias.

Política industrial e expectativas do setor

A compra também tem peso como política industrial, fomentando a cadeia aeronáutica nacional. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) anunciou a criação de uma força-tarefa para facilitar a operação das novas aeronaves assim que começarem a ser entregues. Tiago Faierstein, diretor-presidente da Anac, avaliou que a aviação regional brasileira tem grande potencial de crescimento e que a compra da Gol pode fortalecer esse segmento.

O movimento também acontece em meio às discussões sobre a liberalização do transporte aéreo na América do Sul, cenário que pode abrir ainda mais o mercado para as companhias brasileiras, hoje concentradas em ampliar e diversificar suas frotas.

Ainda durante a feira, a Embraer fechou vendas adicionais do E195-E2 para a espanhola Binter e para a luxemburguesa Luxair, elevando o total de pedidos firmes no terceiro trimestre. Somando opções e direitos de compra, o volume de negócios pode chegar a dezenas de novas aeronaves nos próximos contratos.

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Fonte: Notícias do Planalto