A Agência Nacional de Aviação Civil suspendeu integralmente as operações da Total Linhas Aéreas, companhia cargueira que prestava serviços de transporte aéreo para os Correios. A decisão, de caráter cautelar e prazo indeterminado, entrou em vigor na terça-feira, 1º de setembro de 2026, e foi publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte, após aprovação em reunião extraordinária da diretoria da Anac.

O que motivou a decisão

A suspensão não foi uma medida isolada ou repentina. Segundo a Anac, a decisão foi tomada após a constatação de que as ações corretivas apresentadas pela Total ao longo do tempo foram insuficientes para sanar as irregularidades identificadas em processos de fiscalização.

As falhas apontadas pelo órgão regulador abrangem três frentes principais: problemas na aeronavegabilidade continuada das aeronaves, deficiências nos sistemas e procedimentos de segurança operacional e fragilidades na proteção contra atos de interferência ilícita — área que envolve protocolos de segurança aplicados tanto às aeronaves quanto às operações em solo.

A Anac também destacou que mudanças sucessivas no quadro de gestores da empresa contribuíram para agravar o cenário de não conformidades, dificultando a implementação consistente das correções exigidas.

Dois aviões ainda voaram no dia da suspensão

Dados de rastreamento de voos indicam que, até a véspera da suspensão formal, a companhia ainda mantinha dois Boeing 737-400F em atividade. No próprio dia 1º de setembro, um dos aparelhos operou o trecho Guarulhos–Recife, enquanto o outro realizou os voos Guarulhos–Florianópolis e Florianópolis–Porto Alegre — última operação registrada antes do bloqueio entrar em efeito.

O que a Total precisa fazer para voltar a voar

A retomada das operações está condicionada ao cumprimento de uma lista de exigências estabelecidas pela Anac. Entre elas estão a regularização integral dos controles de aeronavegabilidade das aeronaves, a comprovação da efetividade do Sistema de Gerenciamento da Segurança Operacional e do Sistema de Análise e Supervisão Continuada, e a adequação dos processos internos de identificação e tratamento de riscos operacionais.

Além disso, a empresa deverá recompor seu quadro de administração conforme os requisitos do Regulamento Brasileiro de Aviação Civil, com validação dos novos gestores pela Superintendência de Padrões Operacionais da Anac. Somente após auditorias com resultado satisfatório a agência poderá autorizar o retorno às operações.

Correios na berlinda

Com a Total impedida de operar, o serviço de transporte aéreo de cargas dos Correios — um dos principais contratos da companhia — fica sem cobertura enquanto a situação não é resolvida. A estatal não se pronunciou sobre como pretende contornar o impacto na sua operação logística durante o período de suspensão.

A Total Linhas Aéreas opera desde 1988 e chegou a figurar entre as quatro maiores cargueiras do país em volume transportado. Nos últimos anos, a empresa também sinalizou interesse em expandir para o segmento de passageiros, com projetos que incluíam a incorporação de jatos Embraer e a criação de uma subsidiária regional chamada POP Linhas Aéreas — nenhum deles havia saído do papel antes da suspensão determinada pela Anac.

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Fonte: Aeroin