Uma nova rota internacional recém-inaugurada já enfrentou seu primeiro grande problema. O voo direto entre Curitiba e Lisboa, operado pela TAP Air Portugal, foi cancelado na noite de terça-feira, poucas horas antes da decolagem prevista, deixando dezenas de passageiros sem informações claras no Aeroporto Internacional Afonso Pena.

Uma rota nova, um problema antigo

A ligação direta entre Curitiba e Lisboa começou a operar há pouco mais de uma semana e tem frequência de três voos semanais. O episódio de cancelamento aconteceu justamente na terceira operação da rota, o que reforça uma queixa recorrente entre passageiros de companhias internacionais: falta de comunicação e de suporte presencial em momentos de crise.

De acordo com relatos publicados pela Tribuna do Paraná, o voo que deveria partir por volta das 21h25 sofreu duas remarcações sucessivas ao longo da noite antes de ser oficialmente cancelado. Passageiros relataram ter chegado ao aeroporto no início da noite e enfrentado horas de espera sem qualquer atendimento nos guichês da companhia, mesmo com o saguão lotado.

Passageiros relatam falta de suporte

Entre os relatos, chamou atenção o caso de um grupo de passageiros vindos do Rio Grande do Sul, entre eles pessoas com necessidades especiais, que já estavam no aeroporto havia dois dias aguardando o embarque. Outros afirmaram ter tentado contato repetidas vezes com a central telefônica da companhia sem sucesso.

Ainda segundo os relatos, não houve oferta de reacomodação em voos de companhias parceiras durante o período em que o voo permaneceu sem previsão de saída. O horário de partida foi alterado diversas vezes ao longo da madrugada, até que a decolagem finalmente ocorreu na tarde de quarta-feira, com atraso de muitas horas em relação à programação original.

Procurada pela reportagem, a concessionária responsável pela administração do aeroporto informou que cancelamentos e a assistência aos passageiros são de responsabilidade exclusiva da companhia aérea. Já a TAP, em nota, atribuiu o cancelamento a motivos operacionais e afirmou que os passageiros foram avisados pelos canais oficiais e que havia equipe de apoio disponível no local, versão que diverge do relato dos passageiros ouvidos.

O que a lei garante em casos assim

Cancelamentos de última hora, sobretudo quando envolvem múltiplas remarcações e ausência de assistência, configuram falha na prestação do serviço por parte da companhia aérea. Nesses casos, o passageiro tem direito a:

  • Assistência material proporcional ao tempo de espera, incluindo alimentação, comunicação e, se necessário, hospedagem e transporte
  • Reacomodação em outro voo, próprio ou de companhia parceira, no menor prazo possível
  • Reembolso integral da passagem, caso prefira não seguir viagem
  • Indenização por danos morais, quando fica comprovado que a companhia não prestou o suporte devido e o passageiro sofreu transtornos significativos, como perda de compromissos ou situações de vulnerabilidade
  • A ausência de atendimento nos guichês, somada às sucessivas mudanças de horário sem explicação, é justamente o tipo de situação que costuma fortalecer o pedido de reparação por parte do passageiro.

    Como se proteger em situações de cancelamento

    Quem passa por um imprevisto parecido pode tomar algumas medidas simples para preservar seus direitos:

    Registre tudo. Prints do aplicativo mostrando os horários alterados, mensagens trocadas com a companhia e o horário real de chegada ao aeroporto ajudam a montar um histórico do ocorrido.

    Guarde comprovantes de gastos extras. Alimentação, transporte e outras despesas causadas pelo atraso podem ser reembolsadas.

    Peça informações por escrito. Sempre que possível, solicite confirmação por e-mail ou aplicativo, e não apenas verbalmente no balcão.

    Busque orientação especializada. Nem sempre vale a pena entrar sozinho em uma disputa com a companhia aérea. Empresas especializadas em direito do consumidor aéreo podem avaliar o caso e indicar o melhor caminho.

    O que fica desse episódio

    O caso do voo Curitiba-Lisboa é um lembrete de que a inauguração de uma nova rota não garante, por si só, uma boa experiência para o passageiro. Falhas de comunicação e ausência de suporte no momento do imprevisto pesam tanto quanto o próprio atraso na hora de avaliar se a companhia cumpriu com suas obrigações.

    Se você foi ou está sendo afetado por uma situação parecida, vale reunir a documentação da viagem e buscar orientação sobre seus direitos antes de aceitar apenas um pedido de desculpas da companhia.

    ---

    Fonte: Tribuna do Paraná