Um voo da Latam entre Belo Horizonte e São Paulo viveu minutos de tensão na manhã da última segunda-feira (13/7), quando a aeronave precisou reduzir altitude de forma acentuada logo após a decolagem. O episódio, registrado por dados de rastreamento de voos e relatado por diversos passageiros nas redes sociais, reacende a discussão sobre como companhias aéreas e viajantes devem agir diante de intercorrências técnicas em pleno ar.

O que aconteceu no voo LA3039

O voo LA3039, operado por um Airbus A320, decolou do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, às 9h39 com destino ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Cerca de 20 minutos após a decolagem, por volta das 10h01, a tripulação iniciou uma descida rápida diante de uma intercorrência técnica, e a aeronave saiu de aproximadamente 34 mil pés de altitude para cerca de 10 mil pés em apenas cinco minutos — uma perda de mais de 7 mil metros de altura.

Esse tipo de manobra é um procedimento de segurança padrão, aplicado quando há suspeita de comprometimento na pressurização da cabine. Ao chegar a uma altitude mais baixa, a concentração de oxigênio no ar externo já é suficiente para que passageiros e tripulantes respirem normalmente, mesmo sem o auxílio do sistema de pressurização ou das máscaras de oxigênio. Depois da descida, o avião seguiu viagem mantendo a altitude reduzida até pousar em segurança em Congonhas, às 10h48, sem que houvesse feridos.

Os relatos de quem estava a bordo

Enquanto a aeronave descia, passageiros descreveram nas redes sociais momentos de apreensão dentro da cabine. Um deles resumiu o susto dizendo que o anúncio sobre a necessidade de colocar as máscaras de oxigênio para um possível pouso de emergência tornou os minutos seguintes os mais longos que já havia vivido. Outros relatos mencionam a dificuldade de pais para ajustar as máscaras em crianças pequenas em meio à tensão do momento.

Ainda que o susto tenha sido unânime entre quem compartilhou a experiência, vários passageiros também destacaram a atuação da tripulação durante a ocorrência, elogiando a forma como comissários e pilotos conduziram o procedimento até o pouso seguro em Congonhas. Internautas que já haviam passado por situações parecidas em outros voos também comentaram as publicações, relatando reações semelhantes de medo diante de descidas rápidas e do acionamento repentino das máscaras.

O que diz a Latam

Procurada, a Latam confirmou que solicitou prioridade de pouso para o voo em razão de uma questão técnica e afirmou que o procedimento seguiu os protocolos de segurança previstos para esse tipo de situação, com desembarque normal dos passageiros em Congonhas. A companhia, no entanto, não confirmou se houve de fato despressurização da cabine durante o voo.

Por que a descida rápida é um procedimento de segurança, não uma falha

Apesar da sensação de emergência descrita pelos passageiros, a descida acentuada é exatamente o comportamento esperado da aeronave e da tripulação diante de uma possível perda de pressurização. O objetivo é levar rapidamente o avião para uma faixa de altitude segura, reduzindo o tempo em que passageiros dependem do oxigênio suplementar das máscaras. Companhias aéreas treinam esse protocolo continuamente, e o fato de o voo ter prosseguido normalmente até o destino, sem necessidade de pouso alternativo, é um indicativo de que o procedimento cumpriu sua função.

Isso não significa, porém, que a experiência a bordo deixe de ser assustadora para quem não conhece o protocolo — daí a importância de as companhias comunicarem a situação da forma mais clara possível durante o próprio voo.

O que fazer se você viveu uma situação parecida

Ocorrências técnicas em pleno voo costumam gerar dúvidas sobre quais direitos o passageiro tem, especialmente quando o episódio provoca atraso na chegada ao destino final ou outros transtornos decorrentes da intercorrência. A Resolução 400 da ANAC garante assistência material obrigatória a partir de determinado tempo de espera em terra, e tanto essa resolução quanto o Código de Defesa do Consumidor podem embasar pedidos de indenização quando o atraso no destino final ultrapassa algumas horas, ainda que a causa tenha sido uma questão técnica e não uma falha claramente atribuível à companhia.

Documentar o que aconteceu — prints de comunicações da companhia, horários de decolagem e pouso, e o próprio relato da experiência — é sempre recomendado enquanto os fatos ainda estão frescos, especialmente em casos que envolvam atraso relevante na chegada.

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Fontes: Estado de Minas; Correio Braziliense