Passageiros de um voo da Latam que saiu de Guarulhos com destino a São José do Rio Preto enfrentaram momentos de pânico durante uma forte turbulência na tarde de sábado, 5 de setembro de 2026. Após tentativas frustradas de pouso em Rio Preto e Ribeirão Preto, a aeronave foi desviada para o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas.
Tentativas de pouso frustradas
Segundo o biólogo Alessandro Dias Leite, que estava a bordo, o avião deixou Guarulhos por volta das 14h30 e deveria chegar a Rio Preto às 15h35. Durante o trajeto, a aeronave começou a enfrentar turbulência, que se intensificou na aproximação para o pouso no aeroporto rio-pretense.
"Na hora da descida para o aeroporto de Rio Preto, o avião começou a ser jogado para os lados e tremia o tempo todo. Foram quedas bruscas, uma sensação horrível", relatou o passageiro.
Após não conseguir pousar em Rio Preto, o piloto chegou a informar que retornaria a Guarulhos, mas posteriormente anunciou que seguiria para Ribeirão Preto, onde as condições meteorológicas estariam mais favoráveis. Na aproximação para o segundo aeroporto, porém, a aeronave voltou a enfrentar forte turbulência, com novos movimentos bruscos que aumentaram o medo entre os passageiros.
"Havia pessoas chorando, orando, vomitando e passando mal. Vi os comissários pegando equipamentos de oxigênio e tentando ajudar os passageiros, mesmo com a turbulência", afirmou Alessandro.
Pânico a bordo e desvio final
O pouso em Ribeirão Preto também não foi realizado, já que as condições meteorológicas haviam se deteriorado ainda mais. A tripulação então comunicou aos passageiros que o voo seria desviado para Viracopos.
Segundo o relato do passageiro, o barulho forte das turbinas durante as manobras para estabilizar a aeronave aumentou a preocupação com a quantidade de combustível disponível. "Na segunda tentativa, o desespero tomou conta. Comecei a mandar mensagens para os meus familiares porque achava que aquele avião não conseguiria mais pousar. Era como se eu estivesse me despedindo. Vi outras pessoas fazendo a mesma coisa", contou.
Pouso em segurança e assistência médica
A aeronave conseguiu pousar em segurança em Campinas por volta das 17h. Equipes de atendimento médico entraram no avião para prestar assistência às pessoas que passavam mal, e alguns passageiros teriam apresentado crises de pânico mesmo depois do pouso.
Transporte terrestre até Rio Preto
Com o restante do voo cancelado, foram disponibilizados ônibus para levar os passageiros até Rio Preto. Alessandro estima que aproximadamente 80 pessoas tenham seguido viagem por via terrestre. Ele criticou, porém, a demora na organização do transporte e o atendimento prestado após o desembarque, já que os ônibus demoraram cerca de duas horas para chegar.
"O pessoal já estava bastante irritado e nervoso por causa de tudo o que tinha acontecido. Não gostei do suporte prestado. A empresa terceirizada não deu o atendimento adequado para pessoas que ainda estavam em pânico", declarou.
Os passageiros chegaram ao aeroporto de Rio Preto entre meia-noite e 1h da madrugada de domingo. Para Alessandro, o período de aproximadamente uma hora entre a primeira tentativa de pouso e a chegada a Campinas foi marcado por medo e incerteza. "Foi a pior hora da minha vida. Nunca senti tanto desespero. Sou uma pessoa calma e tentei manter a tranquilidade, mas, depois da segunda tentativa de pouso, achei realmente que o avião pudesse cair", afirmou.
O que diz a Latam
Em nota, a Latam Airlines Brasil informou que o voo LA4666 (São Paulo/Guarulhos–São José do Rio Preto), de sábado (5/9), foi alternado para o Aeroporto Internacional de Viracopos devido às condições meteorológicas adversas no destino, situação que classifica como alheia ao controle da companhia. Segundo a empresa, a aeronave pousou em segurança às 16h40.
A Latam afirmou ainda que os passageiros receberam oferta para o recebimento das assistências previstas na Resolução 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e que segue rigorosamente os mais elevados padrões técnicos e operacionais, tendo a segurança de passageiros e tripulantes como valor inegociável.
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Fonte: Diário da Região
